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Você vai entender como o custo para reparar e reconstruir a infraestrutura de energia no Oriente Médio, danificada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã, pode ser enorme e ainda aumentar. Um estudo da Rystad Energy aponta danos severos a instalações críticas, incluindo grandes complexos de gás e plantas de LNG no Golfo, com casos especialmente preocupantes. A recuperação dependerá de prazos longos e de limitações técnicas, já que peças-chave de turbinas e equipamentos são fabricadas por poucas empresas globais e com prazos extensos. O conflito também impõe incerteza na operação de ativos importantes, afetando o fornecimento regional e internacional de gás natural liquefeito. Você verá como autoridades e empresas tentam planejar a reconstrução sob risco de novos ataques e com desafios logísticos e financeiros significativos. Observa-se ainda que a China tem acelerado grandes projetos de energia limpa após guerras no Oriente Médio.
- Danos grandes à infraestrutura de energia no Oriente Médio aumentam os custos de reparo.
- Danos a Ras Laffan e South Pars reduzem a oferta de gás natural liquefeito.
- A recuperação pode levar muito tempo e depende de poucos fabricantes de turbinas grandes.
- A volta da produção exige estabilidade de conflito e apoio internacional.
- Países como Bahrain, Iraque, Emirados e Síria enfrentam interrupções contínuas no fornecimento.
Custo de reconstrução da infraestrutura de energia no Oriente Médio pode chegar a US$ 25 bilhões, aponta estudo
Você precisa saber que o custo mínimo para reparar e reconstruir a infraestrutura de energia na região está estimado em US$ 25 bilhões, de acordo com uma avaliação da consultoria Rystad Energy divulgada em 23 de março. Segundo o estudo, cerca de metade desse total deve ir para obras de engenharia e construção. As perdas são atribuídas a ataques com drones e mísseis que atingiram instalações de gás e petróleo em vários países. Além disso, impactos do aquecimento global nas construções podem influenciar prazos e custos de obras de engenharia.
Você também deve considerar que áreas críticas, como o campo de gás offshore South Pars no Irã e o complexo de produção de gás de Ras Laffan no Catar, aparecem entre os casos mais preocupantes. A Rystad aponta que Ras Laffan perdeu dois trens de liquefação de gás, o que representa uma redução de capacidade de aproximadamente 12,8 milhões de toneladas métricas por ano. A empresa estatal QatarEnergy declarou força maior em função dessas interrupções.
Outros ativos de LNG e a unidade Pearl no complexo Ras Laffan também sofreram danos. Os trens de LNG danificados em Ras Laffan operavam em parceria com ExxonMobil, que detém uma participação relevante em cada unidade. Além disso, os impactos financeiros da construção de parques eólicos ajudam a entender o peso de custos e financiamento em projetos de energia de grande escala.
Segundo Audun Martinsen, responsável pela pesquisa de cadeia de suprimentos na Rystad Energy, a recuperação da região dependerá mais de estruturas consolidadas do que de capital financeiro. Ele ressalta que algumas estruturas podem voltar a funcionar em meses, enquanto outras podem ficar offline por anos. Além disso, o fechamento ou avaria repetida do Estreito de Hormuz eleva o custo de recuperação da capacidade de produção pré-conflito a cada dia que passa.
Contexto de danos e panorama regional
- A Rystad informa que pelo menos 40 ativos de energia, distribuídos por nove países, foram severamente prejudicados, com efeitos que abrangem campos de petróleo, refinarias e oleodutos. A avaliação cita como desafiador o retorno à operação com a evacuação de trabalhadores e a necessidade de estabilidade de segurança para equipes técnicas.
- O relatório também destaca que, mesmo com recursos financeiros, a recuperação completa pode levar até cinco anos. O motivo principal são gargalos na entrega de turbinas a gás de grande porte, usadas para refrigeração de LNG. Existem apenas três fabricantes originais no mercado global, com atrasos de produção entre dois a quatro anos no início do ano, incluindo empresas como GE Vernova (EUA) e Siemens (Alemanha).
A Rystad ainda observa que o ritmo de restauração pode depender da participação de fornecedores industriais internacionais e da disponibilidade de mão de obra qualificada em regiões afetadas. Caso o Irã seja excluído de cadeias de suprimento ocidentais, o país tende a recorrer a empresas chinesas e a empreiteiros domésticos, o que pode tornar o processo mais lento e caro.
Situação regional por país
- Ras Laffan (Catar): o complexo de LNG, que exige vários trens de liquefação, sofreu interrupções significativas, complicando também a expansão anunciada recentemente pelo grupo controlador. A empresa nacional interrompeu contratos offshore para prioritizar proteção de pessoas e infraestrutura.
- Bahrain: a refinaria Sitra recebeu danos em duas unidades de destilação de petróleo e houve declaração de força maior sobre operações do grupo. O projeto de modernização, com investimento estimado em US$ 7 bilhões, envolveu grandes empreiteiras e contratos para ampliar a capacidade.
- Iraque: ataques a instalações no sul levaram à redução de produção no campo de Zubair, administrado pela Eni, em cerca de 70 mil barris por dia. A produção regional representa uma parte expressiva das exportações do país.
- Síria: o governo planeja construir uma nova refinaria de 150 mil barris por dia nas proximidades de Banias, substituindo uma unidade antiga. Também há planos para reestruturar a rede de oleodutos que ligaria o Iraque à costa Leste do Mediterrâneo, almejando aumentar a produção para até 200 mil bpd até o fim de 2026, com perspectivas de chegar a 800 mil bpd até 2029.
- Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Arábia Saudita: houve interrupções moderadas a significativas em algumas operações, com a dinâmica de recuperação fortemente influenciada pela densidade do ecossistema local de EPC (engineering, procurement and construction).
- Infraestrutura de metais: ataques recentes voltaram a mirar instalações relevantes de produção de alumínio na região, com danos avaliados em diversas etapas. A região responde por uma parcela significativa da oferta global de alumínio, e alguns fornecedores já declararam força maior.
Tabela: impactos-chave e prazos de recuperação (resumo)
| Instalação | Impacto principal | Prazo estimado de recuperação |
| Ras Laffan LNG trains | Perda de dois trens, redução de 12,8 Mt/ano | Pode levar até cinco anos; atrasos em suprimentos de turbinas podem prolongar o retorno |
| Pearl (Ras Laffan) | Danos a infraestrutura de produção | Recuperação dependente de novos equipamentos e contratos internacionais |
| Sitra Refinery (Bahrain) | Dois DAC (destilações) danificados; contingência de força maior | Recupera em meses a anos, com mobilização de grandes contratados |
| Zubair (Iraque) | Redução de produção de petróleo (aprox. 70 mil bpd) | Recuperação ligada ao restabelecimento de condições de segurança e logística |
| Novas refinarias/plans (Síria) | Construção de nova unidade e reconstrução de redes de oleodutos | Anos; cronogramas dependem de retomada de operações e financiamento |
Perspectivas de políticas e contratos
- QatarEnergy tem colocado a expansão do North Field em pausa para proteger operações enquanto o ambiente de conflito permanece instável.
- Contratos internacionais de alto valor, já firmados com empresas como Saipem e China Offshore Oil Engineering, podem exigir renegociação ou reprogramação conforme a situação de risco se estenda.
- A indústria de energia global avalia fornecedores críticos; atrasos nos fornecimentos de turbinas de grande porte podem estender o tempo de recuperação para o setor de LNG.
Conclusion
Diante do cenário apresentado, fica claro que o custo mínimo para reparar e reconstruir a infraestrutura de energia no Oriente Médio pode alcançar US$ 25 bilhões, com aproximadamente a metade destinada a obras de engenharia e construção. As perdas são atribuídas a ataques com drones e mísseis em instalações de gás e petróleo, e áreas críticas como Ras Laffan e South Pars destacam-se como gargalos que reduzem a oferta de LNG. A recuperação dependerá de estruturas consolidadas e de prazos longos, já que existem apenas três fabricantes globais de turbinas de grande porte, gerando atrasos significativos. A volta da produção exige estabilidade de conflito e apoio internacional, além de logística eficiente para recompor cadeias de suprimento. Países como Bahrain, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Síria enfrentam interrupções contínuas que podem se estender por anos. No horizonte, renegociação de contratos, maior participação de fornecedores internacionais e o desenvolvimento de capacidades locais serão decisivos para mitigar custos e acelerar a recuperação, ainda que o tempo de restauração varie conforme cenários de segurança e disponibilidade de mão de obra.
